terça-feira, 19 de março de 2013

Religião: disciplinas cristãs.

Uma possibilidade de praticar o cristianismo consiste em realizar três práticas religiosas antigas: (1) a esmola, (2) a abstinência de carne, e (3) a oração. 
(I) como “esmola”, uma boa ideia é doar (regularmente, enquanto for cristão ou enquanto a doação for necessária aos pobres) 10% do que se ganha para os pobres, no caso, para organizações que têm ações eficazes em diminuir a pobreza extrema onde ela existe para uma ampla parcela da população. Duas associações que podem ajudar nisso são: Giving What We Can (Doando o que podemos) – que você pode conhecer no site www.givingwhatwecan.org; e The Life You Can Save, www.thelifeyoucansave.com (A vida que você pode salvar). Neste tipo de associação você encontra informações e modos de praticar a caridade de modo eficaz, além de encontrar outras pessoas que fazem a mesma coisa que você (se puder, navegue nos sites, informe-se, faça o compromisso, se o caso, e divulgue a ideia!) É uma forma real de ser cristão, e uma forma de você, seja ou não cristão, fazer o bem aos pobres do mundo. Foi o próprio Cristo quem estabeleceu que Ele estaria presente nos pobres e que, ao fazer o bem a eles, se estaria fazendo o bem e Ele. Fazer o bem é uma maneira máxima de amar alguém.
(II) Como “abstinência de carne”, não conheço melhor ideia do que adotar uma dieta vegetariana. Por respeito aos animais. Bilhões de animais são mortos por ano – 50 bilhões por ano – só para satisfazer nosso mero gosto alimentarm já que hoje sabemos que é supérfluo consumir carne e outros produtos animais, pois uma dieta vegetariana equilibrada é suficiente e é boa para a saúde. Se é errado causar sofrimento e morte desnecessariamente aos outros animais, se é um fato que podemos viver bem e bastante com dietas vegetarianas, e também é fato que comer carne mantém o negócio de matar animais, então é errado comer carne. (Informe-se com cuidado sobre o assunto, pense no princípio do respeito aos animais, e então, se for o caso, torne-se vegetariano ou algo próximo disto - pode ser que muitos de nós consiga apenas diminuir o consumo, mas isso já é um passo. Outros irão diminuir aos poucos os tipos de carne, e a sugestão é diminuir em abolir em primeiro lugar carne fruto de confinamento, como porco, boi confinado, e frango). Veja mais sobre isso em: http://www.alimentacaosemcarne.com.br. 
(III) Por fim, como “oração”, é excelente praticar a meditação cristã silenciosa, e a contemplação da natureza, que é a criação de Deus, para quem crê em Deus como criador do mundo, e, como dizia Santo Tomás, é um caminho (a natureza) para se conhecer a Deus. Veja como se faz meditação cristã silenciosa no site da comunidade mundial de meditação cristã: http://www.wccm.com.br.  Um teólogo escreveu que o cristianismo do futuro, e as religiões do futuro, em geral, ou serão místicas e contemplativas, ou não terão lugar na cultura contemporânea (não entre as pessoas mais esclarecidas e racionais existentes).
Duas observações finais: não se deve fazer o bem porque se é católico ou budista, e sim, ser  católico ou budista porque se faz bem e se quer fazê-lo melhor: o bem a gente faz porque é correto em si mesmo, e não por causa de estímulos externos a ele. Mas o catolicismo e outras tradições espirituais são um suporte possível bacana (exemplos, doutrinas, ritos, tempos litúrgicos variados, outras pessoas fazendo o mesmo, etc.). Outra observação: É constrangedor relatar ao menos sobre a doação aos pobres, mas os psicólogos sociais ensinam que para termos mais doações é preciso uma cultura de doação e grupos de pessoas que doam, e para isso, as pessoas que doam tem de dizer aos outros que fazem isso. Assim, não tenha vergonha de dizer aos outros, de forma humilde e sem moralismo, sobre a doação aos pobres. Também pode-se chamar a atenção dos católicos e outros cristãos que dão mais valor à instituição e às dimensões emotivas, espiritualistas e ritualísticas, ao invés da caridade, quase nunca considerando doar algo significativo de suas rendas aos pobres. Isso é estranho para não dizer escandaloso.