quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ATENÇÃO_ALUNOS_TEXTOS_DISCIPLINAS_2018_segundo semestre

BIOÉTICA - 

Ética 2 (Filosofia); Seminários Temáticos (Ciências da Saúde); Projetos de TCC; Monografia

TEXTOS EM: 
https://drive.google.com/open?id=1FqLFdS4vuV6doziP5qcpasfMNUbP_ino

Aulas de 14/08: BIOÉTICA
Bioética Baseada em Razões
Metaética, Argumento Moral e Bioética [ParteI: 125-131; 141-146]

Aulas de 21/08: METAÉTICA
Metaética, Argumento Moral e Bioética [Parte II: pp. 131-138] 
Realismo normativo não-naturalista e MMI
Realismo Moral, uma introdução.

Aulas de 28/08: RACIONALIDADE
Notas sobre como tomar decisões racionais em ética
Intuicionismo e Prescritivismo.

Aulas  de 04/09:  IMPARCIALIDADE
Prescritivismo Universal e Utilitarismo
Imperativo categórico e contradição prática

(PROVA 1: 11/09)

Aula de 18/09: MAIOR BEM 
ORD_The Moral Imperative of Cost-Effectiveness in Global Health

Aulas de  25/09:  SAÚDE PÚBLICA
Judicialização
Saúde Pública, Utilidade e Equidade

Aulas de 02/10: IDENTIDADE
Identidade e Pessoalidade.
Quando começa a vida?

[continua em breve...]


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Aborto e ética: uma perspectiva liberal

A tese em favor do direito ao aborto diz que d
evemos aceitar, como sociedade, o direito legal ao aborto, ao menos no primeiro trimestre da gestação (o que se pode chamar de aborto precoce), como um direito reprodutivo da mulher que, tendo engravidado, não quer mais continuar com a gestação. Proibir e criminalizar o aborto voluntário precoce, quando a vida fetal está neste estágio inicial e a mulher quer interromper a gesatção, deve ser tido por nós como uma intromissão e restrição injustificáveis na sua privacidade e liberdade.

O principal problema da aceitação disto é que o aborto acarreta a morte do feto - que podemos chamar de ser humano em estágio fetal. Em geral tirar a vida de outro ser humano é um grave erro. Todavia, se pensarmos bem, no caso do aborto há este conflito entre manter a vida humana intrauterina e resguardar a privacidade da mulher sobre o próprio corpo e seu papel na reprodução: quem é a favor do direito ao aborto, e eu sou, pensa que faz sentido que neste caso prevaleça, ao menos na esfera dos direitos legais, o valor de respeitar a privacidade e liberdade de uma mulher, contra o valor da vida. 

Os fatos principais que justificam isso são:  (1) que o ser humano em estágio fetal está dentro do organismo da mulher e ela não quer levar adiante a gestação, neste ponto; (2) que este ser humano, no primeiro trimestre, ainda tem uma vida predominantemente, senão totalmente, vegetativa, não possuindo ainda nem capacidade para consciência nem vivência de experiências subjetivas. (Mais tarde na gestação, mais ou menos depois de 20 semanas de gestação, para a ciência atual, o feto adquirirá a capacidade para consciência e experiências subjetivas, desenvolvendo mais do que uma vida meramente biológica; passará a ser um sujeito de experiências ou um ser humano consciente, ainda que provavelmente não será ainda consciente de si).

Estes fatos são as razões que justificam dar peso maior à autonomia reprodutiva da mulher, em sua vontade de interromper ou não a gestação, e, inevitavelmente, um peso menor à vida intra-uterina do feto. Se o feto estivesse fora do organismo da mulher, seria menos relevante que estivesse em estado predominantemente ou totalmente vegetativo; se o feto fosse capaz de consciência e fosse sensciente, seria menos relevante que estivesse dentro da mulher. Mas, no caso do aborto precoce, os dois fatos vem juntos, e isso é relevante.

Pelo que parece, estes ingredientes juntos não estão presentes em outras situações em que pensamos que é errado que se tire a vida de outro ser humano. Qual é o caso semelhante que contenha os dois ingredientes? Uma pessoa em estado vegetativo num hospital? Mas ela possui a capacidade para a consciência e já foi sensciente, enquanto o feto nunca o foi e, neste período, não pode sê-lo; além disso está fora do organismo da mulher. 

Mas e se o paciente no hospital também nunca esteve em estado consciente ou não tem tal capacidade, poderemos tirar-lhe a vida? Supondo que não, novamente, ele não está dentro do organismo da mulher, há alternativas para resguardar a privacidade da pessoa que não queira a vida deste ser humano sem tirar-lhe a vida. Supondo porém que não seja errado encerrar a vida de um ser humano que sempre esteve em estado vegetativo, então não deveria ser visto como errado tirar a vida num aborto precoce, em que tal ser humano está dentro da mulher. 

Em que outra situação podemos pensar que não seria justificado dar maior peso à liberdade e privacidade sobre si mesmo, se isso tira a vida de um outro ser humano, exceto no caso real do aborto e em casos imaginários em que um outro organismo, não sensciente, se encontra conectado a outro deste modo íntimo? Em qual situação há um conflito em que, ou se resguarda a privacidade, ou se mantém a vida de um outro ser humano em estado vegetativo, e não há a alternativa de resguardar as duas coisas? 

O desafio filosófico e prático posto aqui é: se houver tal caso, eu, que defendo o direito ao aborto, devo mudar de idéia; se não houver, quem é contra é que deve mudar de posição, ao menos quanto ao direito legal da mulher, reconhecendo que possui uma posição de intromissão injustificável na vida da mulher, se se refere à lei. 

A melhor interpretação do que ocorre aqui é que, nesta relação biológica especial da gestação de um outro ser humano dentro de nós, abortar não equivale a matar no sentido em que matar é geralmente errado: é plausível aceitar que não devemos aplicar ao aborto precoce a regra contra tirar a vida de um ser humano, ou, alternativamente, que o aborto precoce deve ser contado entre as exceções justificadas à regra.

Sugestão: veja mais detalhes de vários argumentos sobre o aborto neste artigo do filósofo Pedro Galvão: http://pedrogalvao.weebly.com/…/6/6/5/5/6655805/pgaborto.pdf ou no livro editado por ele: A ética do aborto: perspectivas e argumentos. Lisboa, Dinalivro, 2005. cf. https://criticanarede.com/fp_01.html) 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017



Orientação aos estudantes interessados em orientação e pesquisa 

[I] Ciências da Saúde 
[II] Filosofia

aos estudantes interessados em orientação e pesquisa de pós graduação em Ciências da Saúde



MESTRADO E DOUTORADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE UFU  
http://www.pgcs.famed.ufu.br

São considerados projetos específicos de Bioética e que contenham propostas para análise e avaliação de questões e teorias em bioética, ética na saúde pública, ética médica e ética na pesquisa. São bem vindas pesquisas sobre problemas tais como: uso de embriões humanos em pesquisa, aborto, eutanásia, experimentação animal, ponderações do valor da vida (qaly, utility), ponderações do valor de benefícios em saúde (custo-efetividade), metodologias em bioética.

Para contato formal é necessário saber inglês e apresentar um ensaio de até 5 páginas sobre o assunto de seu interesse (problema e ideia central, breve revisão do estado da arte do tema, desenho da pesquisa ou passos do estudo, justificativa).

Sugiro, para a forma do ensaio, seguir as dicas que estão no livro A Arte de Argumentar, de Weston (Lisboa, Gradiva, 2005), e, para o conteúdo do ensaio, fazer uma revisão de literatura atualizada com base no PUBMEd e em revistas de bioética de alto padrão (veja no link abaixo), além de livros relevantes ao tema, se houver.

Há concorrência de propostas que destaquem com clareza: aspectos factuais (por exemplo, informações relevantes), valorativos (por exemplo, princípios e avaliações morais), e práticos/normativos (por exemplo, normas gerais, leis, políticas públicas, protocolos profissionais ou condutas individuais).

Para encontrar boas revistas de bioética e outras fontes: https://repository.library.georgetown.edu/handle/10822/503786

 http://lattes.cnpq.br/2585330510002189


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[II] MESTRADO EM FILOSOFIA - UFU  (http://www.posfil.ifilo.ufu.br/)

São acolhidas pesquisas nas áreas de: metaética (por exemplo, teorias realistas e expressivistas; epistemologia moral; verdade moral; raciocínio moral; argumentos e lógica em moralidade), ética normativa (por exemplo, teorias utilitaristas, deontológico-kantianas, intuicionistas-pluralistas), e ética aplicada (por exemplo, pesquisa com embriões humanos, aborto, eutanásia, suicídio assistido, valor da vida humana, valor da saúde pública, metodologias em bioética).

Para contato formal é necessário saber inglês e apresentar um ensaio de até 6 páginas redigidas sobre o assunto de seu interesse (problema e ideia central, objetivos, desenho da pesquisa ou passos do estudo, argumentos (iniciais) e objeções/alternativas). Sugere-se, para a produção e forma do ensaio, seguir os passos que estão no livro de WESTON, A. A arte de argumentar, Lisboa, Gradiva, 2005, e, para o conteúdo do ensaio em ética aplicada, fazer revisão de literatura atualizada com base em PUBmed e em Revistas de bioética de alto padrão (veja no link abaixo), além de livros filosóficos relevantes ao tema, se houver.

Há concorrência de projetos que abordem problemas, temáticas ou autores de maneira conceitual e argumentativa (analítica), tratando de um tópico filosófico específico (não serão aceitos projeto estritamente de interpretação de autores ou sistemas, desligados de problema específico ou desenvolvimento teórico sobre o ponto). Propostas em ética aplicada e bioética devem destacar com clareza: aspectos factuais (por exemplo, informações relevantes), valorativos (por exemplo, princípios e avaliações morais), e prático-normativos (por exemplo, normas gerais, leis, políticas públicas, protocolos profissionais ou ações justificáveis).


Para encontrar boas revistas de bioética e outras fontes: https://repository.library.georgetown.edu/handle/10822/503786
http://lattes.cnpq.br/2585330510002189

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Greve na Universidade, 2016.

Em outubro escrevi esta avaliação sobre entrar ou não em greve que, a pedidos de alguns alunos e colegas, coloco aqui.

"Preocupa-me muito ainda, neste momento delicado do país, se entrar em greve agora seria adequado, já que:

[1] ainda não tenho clareza sobre a emenda do teto e disciplina nos gastos públicos federais, nem tenho conhecimento adequado de suas consequências prováveis (não só para nós, educadores, funcionários civis e alunos de universidades - e nossos projetos pessoais e coletivos como grupo de interesse corporativo e organizado -, mas também para outros atores e para o país como um todo, incluindo especialmente os afetados pela recessão, pelo desemprego e pela perda inflacionária, como também, e daí a dificuldade em decidir, dos que dependem no curto prazo da assistência social, do SUS e do ensino público); [2]não tenho convicção de que a greve seja um instrumento eficiente para lidar com isso agora; [3] supondo, todavia que a greve seja boa e eficaz, ainda pode ser que não seja o momento de usá-la, pode ser que a UFU deva esperar um pouco para avaliar o movimento antes de aderir significativamente (a UFU já foi das primeiras a iniciar movimentos assim no passado, movimentos que muitas vezes não "pegavam" e nos deixavam com o ônus de manter uma paralisação sem apoio de outras instituições).

Dados [1], [2] e [3], resolvi não aderir à greve, neste primeiro momento, e quero que os alunos sejam informados, por favor, que manterei meus cursos regularmente.

Quatro pontos complementares relevantes: [4] estou estudando o assunto da PEC do teto nos gastos e espero ter mais clareza e conhecimento adequado proximamente, quem sabe em novembro, mas ainda não apoio nem desaprovo integralmente a medida; simplesmente ainda não formei minha posição com a devida ponderação que o assunto merece (e estou tentando fazer isso de modo não tendencioso, com base em informações e avaliações de apenas um lado do debate, o que porém toma tempo e esforços para fazer; [5] o projeto de lei "escola sem partido" ou de reforma do ensino médio não é suficiente para justificar greve, ainda que eu o desaprove totalmente;  (neste ponto já que há alternativas de ação - como manifestações, mídia escrita e falada, simpósios e conversas individuais - já em curso e bastante promissoras, além de que, neste caso, greve de professores universitários parece reforçar o apelo do projeto para muitas pessoas e políticos (e outro ponto: a principal razão eu entrar em greve, se entrar, é o problema do teto nos gastos, e não este e outros projetos de lei); [6] pessoalmente, uma vez que não sou associado da ADUFU e então, não me vinculei voluntariamente às decisões da associação e da assembleia sindical, em especial em função de desaprovar a ADUFU e ANDES pelos modos autoritários e com manipulação de condução de decisões coletivas da parte destas associações e seus líderes, em particular em matéria de greves, tenho boas razões pessoais para não seguir o movimento grevista sindical da ADUFU e da ANDES agora; assim como [7] desaprovo que o CONSUN ou Administração endosse e promova indiretamente greves por decisões institucionais de calendário e outras administrativas, algo que ofende a liberdade docente e discente sem boas razões (e que não quero que seja usado, no futuro, contra greves. Ou seja: nem contra nem a favor).

[4], [5], [6] e [7] justificam e reforçam a deliberação de, pessoalmente, não aderir à greve neste momento. 

(Não tenho porém, nada a pedir ou aconselhar a vocês, quis só externar minha situação e reflexão no momento. Também não gostaria que me pedissem ou aconselhassem, ou ordenassem, nada sobre isso, ainda que escutarei com atenção aos que quiserem assim o fazer).

Cordialmente,

Prof. Alcino". 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Orientação aos estudantes interessados em orientação e pesquisa 

[I] Ciências da Saúde 
[II] Filosofia

[I] MESTRADO E DOUTORADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE UFU  
http://www.pgcs.famed.ufu.br/ 

Foco Temático no programa: Bioética e Qualidade de Vida.

São acolhidos projetos que contenham análise e avaliação éticas com foco principal nas áreas de: ética teórica, ética aplicada, bioética, ética na saúde pública, ética médica, ética na pesquisa.

São bem vindas pesquisas sobre problemas tais como: pesquisa com embriões humanos, aborto, eutanásia, experimentação animal, estipulações sobre o valor da vida humana, estipulações sobre o valor da saúde pública, teorias e metodologias em bioética.

Para contato formal é necessário saber inglês e apresentar um ensaio de até 5 páginas redigidas sobre o assunto de seu interesse (problema e ideia central, objetivos, desenho da pesquisa ou passos do estudo, argumentos (iniciais) e objeções/alternativas).

Sugere-se, para a produção e forma do ensaio, seguir os passos que estão no livro de WESTON, A arte de argumentar (Lisboa, Gradiva, 2005) e, para o conteúdo do ensaio, fazer revisão de literatura atualizada com base no PUBMED e em Revistas de bioética de alto padrão (veja no link abaixo), além de livros filosóficos relevantes ao tema, se houver.

Há concorrência de propostas que destaquem com clareza: aspectos factuais (por exemplo, informações relevantes), valorativos (por exemplo, princípios e avaliações morais), e práticos/normativos (por exemplo, normas gerais, leis, políticas públicas, protocolos profissionais ou condutas individuais).

Para encontrar os nomes das Revistas de Bioética: https://bioethics.georgetown.edu/2015/03/top-200-most-cited-bioethics-articles-published-since-2009/

http://lattes.cnpq.br/2585330510002189


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[II] MESTRADO EM FILOSOFIA - UFU  (http://www.posfil.ifilo.ufu.br/)

São acolhidas pesquisas nas áreas de: metaética (por exemplo, teorias realistas e expressivistas; epistemologia moral; verdade moral; raciocínio moral; argumentos e lógica em moralidade), ética normativa (por exemplo, teorias utilitaristas, deontológico-kantianas, intuicionistas-pluralistas), e ética aplicada (por exemplo, pesquisa com embriões humanos, aborto, eutanásia, suicídio assistido, valor da vida humana, valor da saúde pública, metodologias em bioética).

Para contato formal é necessário saber inglês e apresentar um ensaio de até 6 páginas redigidas sobre o assunto de seu interesse (problema e ideia central, objetivos, desenho da pesquisa ou passos do estudo, argumentos (iniciais) e objeções/alternativas). Sugere-se, para a produção e forma do ensaio, seguir os passos que estão no livro de WESTON, A. A arte de argumentar, Lisboa, Gradiva, 2005, e, para o conteúdo do ensaio em ética aplicada, fazer revisão de literatura atualizada com base em PUBmed e em Revistas de bioética de alto padrão (veja no link abaixo), além de livros filosóficos relevantes ao tema, se houver.

Há concorrência de projetos que abordem problemas, temáticas ou autores de maneira conceitual e argumentativa (analítica), tratando de um tópico filosófico específico (não serão aceitos projeto estritamente de interpretação de autores ou sistemas, desligados de problema específico ou desenvolvimento teórico sobre o ponto). Propostas em ética aplicada e bioética devem destacar com clareza: aspectos factuais (por exemplo, informações relevantes), valorativos (por exemplo, princípios e avaliações morais), e prático-normativos (por exemplo, normas gerais, leis, políticas públicas, protocolos profissionais ou ações justificáveis).


Revistas de bioética: https://bioethics.georgetown.edu/2015/03/top-200-most-cited-bioethics-articles-published-since-2009/
http://lattes.cnpq.br/2585330510002189

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Teoria Ética

Draft 1 -- Teoria Ética

Um dos instrumentos ao alcance dos bioeticistas é a teoria ética. Uma teoria ética é uma teoria sobre a natureza e a lógica dos conceitos morais. Ao contrário de uma teoria moral, a teoria ética não inclui entre seus postulados nenhum princípio moral substantivo. Que devemos aumentar o bem estar geral é um princípio moral substantivo, e faz parte então da teoria moral. Que juízos morais são necessariamente universalizáveis (valem para todas as situações idênticas em suas propriedades descritivas) é um princípio meramente lógico, e faz parte da teoria ética. Tal teoria deve desenvolver a lógica do raciocínio moral. 

Tal lógica tem duas regras, a (citada acima) universalizabiidade (U) e a prescritividade (P) de juízos normativos. P exige que não haja inconsistência entre o juízo universal (como o juízo moral sobre o que devo fazer em tal situação) e o juízo particular a que dou assentimento pratico. U exige que o juízo moral possa ser querido universalmente, ou seja, ser querido por nós em todas as posições afetadas como se fossem as nossas posições. As prescrições resultantes da aplicação desta lógica aos fatos de qualquer situação moral são as prescrições a que pensadores morais racionais chegariam ao deliberarem adequadamente, e, neste sentido, são prescrições objetivas. 



* * *
O filósofo Harry Gensler escreve que se tornou um aficionado no estudo da regra de ouro depois de ouvir uma palestra de Hare e ler seu livro Freedom and Reason duas vezes na mesma semana. Ele, como Hare, pensa que há uma lógica para os debates morais, e que a universalizabilidade é seu componente central.

A Regra de Ouro (Trate os outros apenas como você aceita ser tratado na mesma situação) ordena consistência. Ela exige um ajuste entre meu ato em relação ao outro e meu desejo sobre como ser tratado na mesma situação dele. A regra de ouro não substitui outras normas morais ou dá todas as respostas. Ela não diz o que fazer (e assim não ordena más ações se temos maus desejos). Ao invés, ela proíbe uma combinação inconsistente. Não combinar:
(1)   “Fazer algo a outra pessoa” e (II) “Não quero que isto seja feito a mim na mesma situação”. (2013:.2)

* * * 


Só faremos boa bioética (e boa ética prática em geral) se não formos relativistas, já que prescrições morais objetivas não dependem do nosso assentimento ou de nossa sociedade, e servem de padrão para criticarmos decisões subjetivas nossas ou de nossa sociedade. Mas o raciocínio moral puro, que se baseia só na lógica (a lógica das prescrições universais) e nos fatos (os fatos naturais presentes em uma dada situação), não é o raciocínio moral completo, e não deve ser usado senão em momentos de calma reflexão, com o devido acesso aos fatos, e cuidadosa ponderação sobre cursos alternativos de ação, o que não é o caso nas nossas deliberações e ações cotidianos sob estresse. 

Sob estresse usamos um raciocínio que inclui normas morais gerais e disposições da vontade (traços de caráter) - um raciocínio intuitivo -, e devemos usar tal mecanismo, pois do contrário muito provavelmente tomaremos más decisões. Porém, para justificar estas normas e disposições, para adjudicar entre normas em conflito, e para solucionar casos novos, só apelando para o nível crítico, em que só entram fatos e lógica no input. A normatividade será o resultado.

Mas a ética não depende da religião? Não, ela não depende. A religião também tem o ônus de explicar e justificar por que dada ação deve ser aprovada e praticada, com a mesma lógica do raciocínio moral acima. Se não se retira da moral toda base racional, toda sua força motivacional e lógica próprias (o que inclui operacionalizar a fala e o pensamento em que nos colocamos no lugar as pessoas afetadas pelas nossas ações de modo relevantemente prático), e de Deus, toda razoabilidade. (Ele passaria de um ser razoável que entende as razões para se ditar uma certa norma a um ser que age segundo seu bel prazer).


Se nós não separamos moralidade e vontade divina arbitrária, “o único conceito da vontade divina que ainda nos restaria teria de fazer das propriedades da ambição de honra e de domínio, ligadas às imagens terríveis do poderio e da vingança, o fundamento de um sistema dos costumes exatamente oposto à moralidade”. (Kant, 2007, p. 89)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Russ Shafer-Landua sobre metaética e Arbitrariedade

Cap. 8 – Arbitrariedade
O ceticismo garante que a moralidade não tem embasamento e se assenta em fundamentos arbitrários (= que não são sustentados suficientemente por boas razõe). Como já vimos, para o niilismo nada é exatamente correto ou bom moralmente, pois tais adjetivos não são como outros adjetivos reais (vulcânico, líquido, angular etc.), são conceitos para crenças humanas (não se deve matar é algo arbitrário neste sentido de não ser algo real, mas irreal).

Já o Subjetivismo e o Relativismo dão algum espaço para obrigações morais, mas tais obrigações variam de pessoa para pessoa ou de sociedade para sociedade, pois o que é certo ou errado é como a cor favorita de alguém, ou seja, em essência, é algo arbitrário, e isto, para Shafer-Landau, dá licença mesmo aos mais terríveis tipos de comportamento, já que são os gostos e desgostos de cada um (ou de cada sociedade) que embasam a moral.

Para o relativismo os gostos dos indivíduos são avaliados por um padrão acima deles, mas tal padrão é a sabedoria cultural que prevalece em dada sociedade, ou o consenso social, e não há base para avaliar e criticar tal coisa. Qualquer que seja tal consenso, ele estará certo, o que significa, isto é o que dá o embasamento, e isto é algo para o qual não se precisa apresentar boas razões independentes.

O Objetivismo elimina a arbitrariedade reivindicando que tanto os gostos individuais quanto os consensos sociais básicos devem passar pelo escrutínio racional, em especial, que os padrões convencionais podem ser falsos ou verdadeiros segundo razões que não se reduzem ao gosto individual ou consenso social que os endossa. Por exemplo, tome o ódio aos homossexuais, a homofobia. Há quem odeia a homossexualidade simplesmente porque odeia, porque é seu gosto. Há quem o faça porque sua cultura sempre reforçou tal sentimento, e isto torna seu ódio correto. Mas ambas as coisas para o objetivismo estão sujeitas à avaliação de que tal atitude pode ser realmente errada, independente dos gostos e desgostos. A tradição não tem papel importante como o tem no Subjetivismo e no Relativismo. O mesmo para a discriminação das mulheres que aceitam papéis subordinados: isso pode ser apenas sinal mais de uma boa doutrinação e manipulação feita pelos homens do que de aceitação por parte delas.

Assim, enquanto para o Niilista não há boas razões independentes para se adotar certa ação, e para o Subjetivista e o Relativista as boas razões são aquilo que os seres humanos endossam, para o Objetivista “a melhor razão para se adotar um padrão é sua verdade”, e verdade é algo que não depende da opinião, mas algo que serve para julgarmos a opinião.

Logo, é possível escapar da arbitrariedade apenas se o Objetivismo ético for verdadeiro.

* * * *
1 - Tente defender o ceticismo defendendo o ponto principal do objetivista sem abandonar a posição cética.
2 - Tente atacar o objetivismo atacando-o do mesmo modo que ele ataca o cético.
3 - Conseguiu? O que resultou disto, em sua opinião? Há outros pontos a apresentar?

Ética no enfrentamento da CoVID-19

Questões éticas difíceis passaram a nos atingir mais frontalmente com  a pandemia da COVID-19. O  NUBET – Núcleo de Bioética e Ética Pública...