quarta-feira, 20 de março de 2019

ROTEIRO ALGUMAS QUESTÕES PARA ESTUDO E A APROFUNDAMENTO (CURSO 2019)

QUESTÕES PARA AS AULAS BASEADAS NO LIVRO DE RACHELS, OS ELEMENTOS DA FILOSOFIA MORAL

CAPÍTULO II (O DESAFIO DO RELATIVISMO CULTURAL)
(1)  Qual é “argumento das diferenças culturais” e por que não é sólido?
(2)  Escolha e analise uma das implicações do relativismo, aplicando-a a um dos casos citados no capítulo.
(3)  Qual é o “argumento dos valores em comum”? Como ele poderia ser desafiado por um relativista?
(4)  Por que relutar em criticar outras culturas? O que dá razão a tal atitude?

CAPÍTULO III: (O SUBJETIVISMO NA ÉTICA)
(1)  Quais os problemas do subjetivismo simples? Como o Emotivismo os resolve?
(2)  Como o autor apresenta e defende a possibilidade de fatos e de provas em ética? Você concorda? Justifique. 
(3)  O que há de errado na homossexualidade? O que há de errado no casamento civil para gays? O que suas respostas teriam de impacto na religião? Explique e justifique.

CAPÍTULO I (O QUE É A MORALIDADE?)
(1)  Quais eram suas impressões iniciais sobre os casos relatados no capítulo? O que pensa dos casos agora, depois da leitura e das aulas? Por que?
(2)  Explique um dos princípios morais elencados nestes argumentos sobre os casos, e diga qual fato relevante está ligado a ele. Ele é um bom princípio em geral? E para o caso? Por que? Por que não?
(3)  O que é a moralidade mínima para Rachels? Quais os requisitos do pensamento moral, no texto? Você concorda? Justifique. 

CAPÍTULO IV (DEPENDERÁ A MORALIDADE DA RELIGIÃO?)
(1)  A moralidade depende da religião? Justifique.
(2)  Explique o “argumento de Eutífron” e as duas relações possíveis entre “mandamento divino” e razões morais. (Qual lhe parece mais atraente? Por que?)
(3)  Por que é difícil tratar questões morais particulares (aborto, por ex.), com a religião, segundo o autor? O que você pens disto?

CAPÍTULO V (EGOÍSMO)
(1)  Temos responsabilidades morais com quem está morrendo de fome? Por que?
(2)  Qual o problema com a ética, se o Egoísmo Psicológico for verdadeiro? Quais os problemas do Egoísmo Psicológico?
(3)  Exponha e analise um argumento a favor e um argumento contra o Egoísmo Ético, e relacione suas respostas à questão 1 com esta.

CAPÍTULO VI (CONTRATUALISMO):
(1)  Explique o dilema do prisioneiro e o relacione moralidade comum e teoria do contratualismo.
(2)  Qual é o argumento contratualista em favor da obediência eda desobediência às leis? 
(3)  Como um contratualista poderia responder à crítica de que exclui os animais e os bebês do escopo da moralidade?

CAPÍTULO VII (A ABORDAGEM UTILITARISTA) 
(1)  O que você pensa da solução utilitarista para os problemas da eutanásia, das drogas e dos animais?
(2)  Como em geral a tradição cristã tratou a eutanásia? Qual o argumento de Bentham para a compatibilidade entre o cristianismo e o utilitarismo? O que uma resposta tem a ver com a outra?
(3)  Como se pode contestar ou problematizar o argumento em proldos animais em geral e/ou dentro do Utilitarismo?

CAPÍTULO VIII (O DEBATE SOBRE O UTILITARISMO)
(1)  Quais os problemas do utilitarismo com a justiça e os direitos individuais? 
(2)  O utilitarismo exige de mais ou exige de menos? Explique.
(3)  Quais as respostas ou defesas, disponíveis aos utilitaristas, contra seus críticos?

CAPÍTULO IX (HAVERÁ REGRAS MORAIS ABSOLUTAS?)
(1)  O que estaria errado na decisão de Truman? E na avaliação de Anscombe, o que você vê como estranho?
(2)  Por que um dever categórico seria algo “misterioso”, e qual a explicação de Kant para resolver tal mistério? Qual será a opinião de Rachels? Explique.
(3)  Como se pode contestar ou desafiar as premissas do argumento de Kant contra mentir?
(4)  Qual o elemento mais importante da teoria de Kant? Justifique.

CAPÍTULO X (KANT E O RESPEITO PELAS PESSOAS).
(1)  Como Kant explica o valor inerente dos seres humanos? O que universalidade (das regras) tem a ver com dignidade humana (como em si)?
(2)  Comente as posições utilitarista e kantiana sobre a punição. O que implicam para a ideia de pena de morte?

CAPÍTULO XI (FEMINISMO)
(1)  Comente sobre algumas diferenças entre a noção comum do feminismo e os conteúdos do capítulo.
(2)  Homens e mulheres pensam diferentemente? Se sim, o que explicaria tal coisa? Isso é relevante para a ética? Explique.
(3)  Feminismo e defesa de direitos individuais: amigos ou inimigos? Explique.

CAPÍTULO XII (VIRTUDES)
(1)  Como podemos saber o que é certo fazer numa situação particular, seguindo a ética das virtudes? E seguindo a ética de Kant? Explique a diferença?
(2)  Pessoas virtuosas às vezes discordam uma com as outras sobre o que se deve fazer. Isto é um problema para a ética das virtudes? Por que? Por que não?
(3)  É possível às éticas da ação correta, que se baseiam na razão neutra, resolver os desafios “da parcialidade” e da “motivação”, que são as vantagens das éticas das virtudes? Explique e dê sua posição. Justifique sua posição.

CAPÍTULO XIII (COMO SERIA UMA TEORIA MORAL SATISFATÓRIA)
(1)  “O utilitarismo de estratégias múltiplas é uma teoria moral X (a suposta melhor teoria de tudo, na ética), fruto da combinação das outras teorias, ou de parte delas, com o utilitarismo”. Você concorda? Onde estão as outras teorias ou partes delas no Utilitarismo de estratégias múltiplas? 
(2)  Há algum problema na concepção de Rachels? Que críticas você lhe endereçaria? Que teoria você apostaria que será, no fim das contas, a melhor teoria, das que estudamos? Por que?
(3)  Comente criticamente o curso, o livro de Rachels e a disciplina.



CURSO DE ÉTICA 1 - 2019

Disciplina de Ética 1, Graduação em Filosofia da UFU, dada às quartas à noite e às sextas de manhã. 

O objetivo geral do curso consiste em apresentar e analisar aspectos fundamentais da ética, relacionados aos seus três ramos principais, metaética, ética normativa e ética aplicada. Entre os objetivos específicos estão: incentivar e treinar competências lógicas aplicadas à ética; discutir sobre o relativismo (social e individual) e a racionalidade prática em geral; conhecer e analisar as perspectivas normativas mais utilizadas (como contratualismo, utilitarismo, ética kantiana etc.); analisar algumas questões em ética aplicada (como cotas raciais, aborto, assistência aos pobres, estatuto moral dos outros animais etc.), conectando-as às perspectivas normativas citadas. 

O programa será:

I. A disciplina da ética e alguns de seus aspectos metaéticos
1.1 A teoria do relativismo social e o que não é ética
1.2 O subjetivismo e o aspecto universal da ética
1.3 A teoria do mandamento divino e a questão da homossexualidade
1.4 O raciocínio ético e a questão das cotas
2. Éticas normativas: perspectivas e questões práticas
2.1 Egoísmo ético e a questão do auxílio aos pobres
2.2 Contratualismo e a questão do uso da violência
2.3 Utilitarismo e a questão do sofrimento causado aos animais
2.4 As críticas ao utilitarismo e a questão de tirar a vida dos animais
2.5 Deontologia pluralista e a questão de tirar a vida humana
2.6 Deontologia kantiana e a questão da eutanásia
2.7 Teorias feministas e a questão do aborto
2.8 Teorias da virtude e a crise ambiental
3. Teoria ética ideal e a questão de por que viver eticamente

* BIBLIOGRAFIA
- RACHELS, J. Os Elementos de Filosofia Moral. Porto Alegre, AMGH Editora, 2013.
- SINGER, Peter. Ética Prática. São Paulo, Martins Fontes, 2006.
- VERÍSSIMO, Luiz. “Homossexualidade e lei”. https://criticanarede.com/homossexualidade.html
- Site de pesquisa: www.criticanarede.com
Complementar:
-SHAFER-LANDAU, R. The Fundamentals of Ethics. Oxford, Oxford University Press, 2018
- Site de pesquisa: www.plato.stanford.edu

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

PROVA 1 DE ÉTICA 2, 2018.

Prova 1 (Ética 2, Prof. Alcino) – entrega no dia 18/09, 8:00 h (mat) e 19 h (not)

Alunos:

·     A prova é um pouco diferente da usual. Preste atenção abaixo. O professor e a monitora não dirão nada sobre a prova; você, por si mesmo, sozinho ou em grupo, deve interpretar o que deve ser feito. As questões escolhidas são:

A)   Qual é o problema de haver vários princípios e teorias morais, em bioética? Quais as soluções para o problema?

B)   O que é decisão de princípio e decisão sob princípios? Aponte diferença (s) e semelhança (s).

C)   Como você entende as duas teorias em foco, a kantiana e a utilitarista, e como o texto sugere entendê-las conjuntamente? Você concorda? Justifique.


[1] Primeira Parte: ouvir, falar e debater.

1.     Você deve, sozinho, meditar nas perguntas e elaborar, mentalmente ou num esboço, as respostas. Você, que será chamado de Aluno A, deve formar uma dupla com outro aluno, aluno B. (Ambos fazem esta tarefa 1 isoladamente).

2.     GRAVAÇÃO: O aluno A grava, como arguidor, com ajuda do celular ou outro meio, a pergunta A, (lendo literalmente a questão), e depois da leitura, acrescenta um esclarecimento ou comentário para elucidar melhor a pergunta. Então, o Aluno B, que cumpriu a tarefa 1 acima sozinho, dá uma boa resposta, gravada em sequência.

3.     O Aluno A então levanta outra questão ou comentário crítico, no mesmo tema (questão A), como um tipo de Réplica da resposta de B. O Aluno B faz a tréplica, respondendo ou comentando a fala de A.



4.     O Aluno B, agora como arguidor, grava a pergunta B, lendo (literalmente) a questão, e depois da leitura, acrescenta um esclarecimento ou comentário para elucidar melhor a pergunta. Então, o Aluno A dá uma boa resposta, gravada na sequência.

5.     O Aluno B, então, no mesmo tema (questão B), levanta outra questão ou comentário crítico, como um tipo de Réplica da resposta de A. O Aluno A faz a tréplica, respondendo ou comentando a fala de B.



[2]Segunda parte: Alunos A e B, juntos, escrevam a resposta à questão C, usando uma lauda (uma página)



·     TRAGAM A GRAVAÇÃO (Arquivo e aparelho) E A LAUDA ESCRITA EM 18/09, PARA APRESENTAR NA AULA.




“Que nota darei?”

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

CURSO DE ÉTICA 2 (2018): QUESTÕES PARA ESTUDO E APROFUNDAMENTO: TÓPICOS 1 A 4

ÉTICA 2 - 2018

QUESTÕES PARA ESTUDO E APROFUNDAMENTO: TÓPICOS 1 A 


1. BIOÉTICA - 14/08

1.     O que é teoria formal, ética, moralidade, os três ramos da ética? 
2.     Quais são as três referências da palavra “dever”? Explique com um exemplo.
3.     Qual é problema de haver vários princípios e teorias morais, em bioética? Quais as soluções para o problema?
4.     Qual vantagem e dificuldade (s) da proposta chamada de metodológica?

2.METAÉTICA – 21/08

1.     Quais os problemas detectados nas teorias subjetivistas? Explique ao menos um.
2.     Explique o problema da “questão em aberto”, para o naturalismo ético.
3.     Por que o intuicionismo incorreria na aceitação de mundos morais impossíveis?
4.     Qual dificuldade você vê no realismo moral? Justifique

3.RACIONALIDADE – 28/08

1.     Identifique e resuma o debate sobre clonagem, no texto.
2.     Onde está a superveniência, e qual a sua função, no debate sobre a clonagem? (Compare o conteúdo com a parte “A lógica do raciocínio moral”, do texto 1)
3.     O que é decisão de princípio e decisão sob princípios? Aponte diferença (s) e semelhança (s). (Compare a parte “Os dois níveis do pensamento moral”, do texto 1).
4.     Como Singer responde ao desafio de Huemer, sobre a necessidade e importância da intuição e da verdade moral?

4. IMPARCIALIDADE – 04/09

1.    Como você entende as duas teorias em foco, a kantiana e a utilitarista, e como o texto sugere entendê-las conjuntamente? Você concorda? Justifique.
2.    Quais os componentes e o significado (mínimo) de: raciocínio utilitarista, universalização na ética e níveis do pensamento moral?
3.    Consulte o texto de Kant, A Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Seção 2 (parágrafos sobre o imperativo categórico, as duas primeiras fórmulas e os quatro exemplos em cada uma delas) e mostre como o texto é compreendido por cada uma das interpretações sugeridas no texto da aula.
4.    “O elemento mais importante do imperativo categórico está no significado de “poder querer (a universalização da máxima)”. Explique.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

RELIGIÕES E ÉTICA

"Mahavira, the Jain patriarch, surpassed the morality of the Bible with a single sentence: "Do not injure, abuse, oppress, enslave, insult, torment, torture, or kill any creature or living being." Imagine how different our world might be if the Bible contained this as its central precept." (― Sam Harris, Letter to a Christian Nation). Não sei se você já se fez. Já me fiz pergunta bem similar: quando ainda adolescente questionei a mim mesmo por que o Novo Testamento não condenou a escravidão, ao contrário, pregava aos escravos que fossem obedientes aos seus donos, assim como pregava às mulheres que fossem submissas aos maridos, além de pedir que nos submetamos ao Estado, como proveniente de Deus, na época, o Estado romano. Ao contrário de outros adolescentes ou jovens que  ao chegar a tais questionamento e não encontrar boas respostas, abandonam a religião, eu continuei, na época, a ser cristão, ainda que não mais do tipo ortodoxo, tentando sempre, desde aquele tempo, combinar a ética humanista com a espiritualidade mais tradicional (e recentemente adotando outra resposta).

Sobre Mahavira e o Jainismo, numa pesquisa superficial, não encontrei a oração "não escravize qualquer ser vivo" (o que o deixaria claramente à frente da Bíblia e do Alcorão), mas confirmei que para ele, Mahavira, a não violência (ahimsa), tanto a violência de tirar a vida de uma criatura, quanto a de causar danos físicos, era de fato o núcleo principal de todo seu ensinamento religioso e moral, a ponto de incluir explicitamente os outros animais no dever de não matar, algo que supera sem sombra dúvidas a moralidade das religiões tradicionais ocidentais. Algo similar se pode dizer das outras religiões orientais semelhantes, como o Budismo e o Hinduísmo. As regras e orientações principais de Mahavira (Ahimsa - não causar dano e sofrimento a qualquer ser (não violência); Satya - evitar a mentira; Asteya - não se apropriar do que não nos foi dado; Brahmacharya – evitar a má condita sexual e não abusar sexualmente dos outros; Não se intoxicar com álcool e drogas [Aparigraha - não acumular nem se apegar às coisas e valores materiais]) estão na ética da Yoga, que tem também, a yoga, outros cinco princípios (noutra postagem falo delas), e na ética do chamado caminho óctuplo, ou das oitos sendas, do Budismo. Todos incluem, em alguma medida significativa, os animais, e pregam ou ao menos valorizam explicitamente o vegetarianismo, como compromisso ético e religioso.

Porém, lembremo-nos já, o velho testamento da Bíblia cristã, algo compartilhado pela Torá do judaísmo, possui, entre os dez mandamentos da lei de Deus, que não se deve matar, nem roubar, nem levantar falso testemunhl, algo como evitar a mentira, a condenação da má conduta sexual (da infidelidade), o pedido para cuidar dos pobres. A regra de ouro é parte do Alcorão ("Ninguém é fiel a Alá até que queira aos outros o que quer para si) e os profetas judeus pregavam o respeito aos órfãos, às viúvas e aos estrangeiros, os mais vulneráveis na sociedade da época. No novo testamento cristão, que mantém os mandamentos, acrescenta a famosa regra de ouro mas em versão mais exigente: a positiva "faça aos outros como queres que eles façam a vocês"; também diz para se interpretar todas as diretivas relativas à conduta para com outros seres humanos como amor ao próximo como a si mesmo, ou, mais ainda, no amor aos outros como Cristo amou a humanidade, algo que nos levaria além da regra de ouro. Daí à inclusão dos animais, como em São Francisco, há um passo pequeno, ainda não incorporado pela maioria cristã.

Assim, não acho que Sam Harris esteja certo, não totalmente, ao menos; penso que o cristianismo não pode ser bem avaliado apenas considerando o que fizeram ou fazem "nações cristãs" pouco coerentes com a ética cristã, especialmente a que ele se refere, os USA atualmente. Houve muito no passado e ainda há coisas que desabonam o cristianismo, assim como contra o judaísmo e o islamismo, religiões monoteístas irmãs. Mas o que as pessoas fazem com boas ideias não é ainda um bom argumento contra as próprias ideias, e as tradições orientais citadas, vez ou outra, especialmente quando conectadas com algum poder político ou econômico constituído, também cometeram ou endossaram coisas muito ruins, como castas inferiores, sujeição das mulheres, discriminação contra os gays, e sim, por incrível que possa parecer, violência pura e simples. Um exemplo. Recentemente ficamos sabendo de como os monges lideres religiosos budistas, em Myamar, pregam e se insurgem contra a minoria islâmica rohingya, minoria que sofre vários tipos de discriminação e injustiça. Recentemente passou, em Myamar, a sofrer genocídio, e isso tudo com apoio dos principais líderes religiosos budistas. 

Mas nem o budismo nem o cristianismo merecem ser tidos como totalmente culpados por isso, ainda que não devem deixar de serem responsabilizados também, ao menos em parte, por exemplo, como citado no início por mim, nem a Torá, nem a Bíblia, nem o Alcorão condenaram explicitamente a escravatura (infelizmente, até a reforçaram), assim como seu texto ajudou a postergar avanços quanto a liberdade e igualdade humana. 

Nossa ética sempre avança com a reflexão crítica e a experiência social acerca de como podemos viver melhor, harmonizando nossos interesses com os interesses dos outros, e as religiões tradicionais foram e são um modo de ajudar a chegar a isso, especialmente com a regra de ouro, que todas possuem e aparentemente sem influência recíproca (a regra de "Não fazer aos outros o que não aceitamos que eles nos façam" também está em muitas outras tradições espirituais e morais e em filosofias não religiosas), mas as religiões, incluindo, é preciso dizer, o cristianismo, não são sempre um bom modo de ajudar a fazer do mundo um lugar melhor (por exemplo, quando misturam ou confundem a ética com tradição religiosa e cultural, ou quando seguem, sem ponderações morais mais amplas e independentes, os mandamentos religiosos como ordens que não devem se questionadas, já que algo não pode se certo porque alguém, mesmo Deus, ordena, mas antes, é uma ordem, especialmente de Deus, se existir, porque é certo fazer aquilo, e há razões para ser certo, razÕes que estão nos fatos e no raciocínio moral). As religiões também não são o único modo de nos ajudar a viver melhor, a ética não religiosa, focada apenas nas consequências de nossas ações para o bem comum, sem preocupação com recompensas ou punições após a morte, é um modo aparentemente até mais eficaz de educação para se viver eticamente., no clima cultural atual. 

Concluindo, as religiões, importantes em si, devem ser sempre vistas com alguma desconfiança. Parafraseando Jesus, as religiões existem para o ser humano (e para a ética), e não os seres humanos (e a ética), para as religiões.


Ética no enfrentamento da CoVID-19

Questões éticas difíceis passaram a nos atingir mais frontalmente com  a pandemia da COVID-19. O  NUBET – Núcleo de Bioética e Ética Pública...